quarta-feira, 16 de agosto de 2017

CASA DOS PAPÉIS-50: 1ª AUDIENCIA/DECRETO Nº122/1891


 
PRIMEIRA AUDIENCIA DO JUIZ DE PAZ NA FREGUEZIA DE SÃO JOÃO BAPTISTA DO DOURADO
 
Aos sete dias do Mez de Março do anno de mil oitocentos e noventa e um, em casa do Cidadão Maximiliano de Oliveira Sampaio, presente o primeiro Juiz de Paz Cidadão Joaquim Manoel de Oliveira e eu, escrivão de seu cargo abaixo nomeado e mais pessoas presentes, o Cidadão Juia de Paz mandou abrir a primeira audiência, por mim, escrivão, em falta do official de Justiça. E declarou que por decreto numero cento e vinte e dous de dezenove de janeiro do corrente anno, do Governador deste Estado de São Paulo, foi creado districto de Paz neste Curato de São João Baptista do Dourado, Municipio de Brotas, Estado de São Paulo, que é de maneira seguinte: Artigo primeiro - Fica creado o districto de Paz de Dourado, Municipio de Brotas. Artigo segundo - O novo districto de Paz de Dourado, comprehenderá o território fo antigo Curato  de São João Baptista do Dourado, que é o mesmo do districto da subdelegacia de Policia  deste nome, creado por acto de seis de novembro de de mil oitocentos e oitenta e cinco e terá as mesmas divisas do Curato adoptado pelo referido acto que as actuaes do districto policial. Artigo terceiro - Revoga-se as disposições em contrário. O Secretario de Governo o faço publicar. Palácio do Governo do Estado de São Paulo, dezenove de janeiro de mil oitocentos e noventa e um. Jorge Tibiriçá. Em virtude do mesmo decreto  o Juiz declarou instalado a Freguezia do districto de Paz de São Baptista do Dourado, Municipio de Brotas, Estado de São Paulo. A requerimento do cidadão Maximiliano de Oliveira Sampaio na mesma audiência, foi requerido que se lançasse um voto de reconhecimento ao Reverendo Padre Antônio Alvares Guedes Vaz, pelos serviços prestados a beneficio deste logar. A requerimento do cidadão Manoel Vieira Monteiro foi requerido um voto de reconhecimento aos membros do Directorio do Partido local desta Freguezia, pelos relevantes serviços prestados pelos mesmos a bem do progresso desta Freguez\ia. E como nada mais houve, para constar, lavrei este termo. Eu, Franklim de Cerqueira Leite, escrivão, o escrevi.
(ass.) JOAQUIM MANOEL DE OLVEIRA
FRANKLIM DE CERQUEIRA LEITE
ANTONIO ALVES DOS SANTOS
FERNANDO LIMONGI
LUIS ANTONIO MACHADO
CANDº JOSÉ MACHADO
CARLOS AUGUSTO D'OLIVEIRA NEVES
MANOEL VIEIRA MONTEIRO
MAXIMILIANO DE OLIVEIRA SAMPAIO
EDUARDO JOSÉ FERREIRA
JOAQUIM JOSÉ DE OLIVEIRA
JOÃO CATALDI
ANTONIO DOS SANTOS MACEDO
JOÃO BAPTSITA DE OLI.ª
MANOEL PEDRO LOPES
JOSÉ DOMINGUES DOUS SANTOS
JOÃO DE CAMARGO FREITAS
JOAQUIM FLORINDO DA S.ª
LUIZ GONAZAGA DA COSTA BARROS.
 
 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

CASA DOS PAPÉIS-49: O ESTUDANTE COLABORA IV


ERA UM DIA DE PASCOA
 
Zero hora.
Tudo mais ou menos calmo; um leve ventinho apenas a balançar os frágeis galhos das árvores.
Um choro... 
Na grande mansão isolada do resto do mundo ouvia-se aquele choro. Sim, um choro, nada mais.
Pai e mãe, um casal jovem, muito rico e bom, estavam fazendo a tradicional ceia.
Os dois, só os dois, na sala belamente ornamentada despertam dos seus assuntos do momento e correm atender aquela vózinha de criança assustada.
- Filhinha!!!
Ao encontro dos dois, corre a pequena que havia desperta e assustada...
- Algum sonho, mau, diz o pai, o que será?
- Mamãe, eu acordei e me lembrei que ontem vocês me prometeram dar um ôvo de chocolate e eu não o queria agora porque sonhei que veio um cachorro bem "grandão" e o comeu.
O casal abraça a criança nascida naquela mansão e a levam carinhosamente para o berço.
A pequena adormece.
Voltam os dois, somente os dois para a sala, aquela mesma sala ricamente ornamentada. Felizes riem-se da filhinha que até agora só pensa em seus chocolates e nada mais. Esse é o seu mundo, a sua alegria. Mais tarde terá muitas outras coisas a pensar, inclusive o mundo dos semelhantes.
Auxiliá-los ... Não mais existirá só o seu mundo.
Uma hora e alguns minutos.
Reinava paz, tranquilidade, silêncio e era um dia de páscoa.
 
VERA LUCIA VALENTE - 3º ANO NORMAL- DA ENGED
JORNAL DE DOURADO-Nº270-ANO VI- DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 1968.  
 
 
 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

CASA DOS PAPÉIS-48: TEMPOS DE ESCOLA - 1.962




GRUPO ESCOLAR SENADOR CARLOS JOSÉ BOTELHO 
ALUNOS DO 3º ANO MISTO A - TARDE - 1.962
PROFESSORA NEYDE SOUZA MACEDO LOZANO
 
 
ADÃO LINDO DE SOUZA
ANSELMO ORTEGA BOSCHI
ANTONIO DO CARMO GUANHO
CESAR ROBERTO TAVANO
GIL MONTEIRO NOVO
IDIO CARLI
JOSÉ MIGUEL DEMETI
LUIZ ANTONIO GARCIA FREITAS
MIGUEL GIUDICISSI FILHO
VICENTE EDUARDO PACHECO
WALDIR SABATINE
WALDOMIRO BOUFELLI
ANA MARIA VALENTE
ANGELA PIRES BARTELOTTI
ELZA MARINA CORDOVA GARCIA
EUDINA RITA
GENI PEREZ
IRANI MOURA TAVANO
LIDIA APARECIDA PINHEIRO
MARIA HELENA SILVA PINTO
MARIA JOSÉ FONTANA
MARIA JOSÉ FOSCHINI
MARIA SILVIA DE ARRUDA PENTEADO
MARINA ALDANA
MARLENE AMATO
NEUSA MARIA A. MATOS
RICARDA AZEVEDO SILVA
RITA DE CASSIA GONÇALVES MACARI
ROSA MARIA GONÇALVES
SONIA MARIA DOS SANTOS
TEREZINHA ZANON
VERA LUCIA DE OLIVEIRA
YOKO ISHIBE
 
PROFESSORA  NEYDE SOUZA MACEDO LOZANO
 
 
NEYDE
 
Neyde, a pequena gigante
Construiu no lar o seu baluarte
Teceu com sua vida o manto do amor
Cavou a trincheira do bom combate
Pintou a tristeza com as cores da flor.
 
Empunhou a bandeira da paz com ardor
Que era a mensageira do seu perdão
Guardou no silêncio o rescaldo da dor
Trancou as lágrimas no seu coração.
 
Neydinha, a pequena gigante
Deixou-nos um brilho de eternidade
Como um raio de luz na escuridão
E bailando no ar, ficou a saudade
Que já faz parte do meu coração.
 
                    Camilinho Macedo
 
 
 
 
 
 


CASA DOS PAPÉIS-47: COMPANHIA ESTRADA DE FERRO DO DOURADO-II



ACTOS DO PODER EXECUTIVO
DECRETO Nº 830
DE 4 DE OUTUBRO DE 1900

 
 
AUCTORIZA A COMPANHIA ESTRADA DE FERRO DO DOURADO A ABRIR AO TRAFEGO PUBLICO O TRECHO DE SUA LINHA ENTRE AS ESTAÇÕES DE RIBEIRÃO BONITO E CORONEL FERRAZ, COM EXTENSÃO DE 9.900 METROS.
 
O Presidente do Estado de São Paulo,
Attendendo ao que requereu a Companhia Estrada de Ferro do Dourado, e de acordo com o parecer da Inspectoria de Estradas de Ferro e Navegação
Decreta:
Artigo 1º - Fica concedida à Companhia Estrada de Ferro do Dourado, autorização para abrir ao trafego o primeiro trecho de sua linha com a extensão de 9.900 metros entre a estação de Ribeirão Bonito, ponto inicial, e a estação Coronel Ferraz.
Artigo 2º - Fica a Companhia Estrada de Ferro do Dourado obrigada a executar na sua linha férrea os seguintes serviços:
a) Complemento, no trecho a inaugurar, dos serviços de abertura de valletas e preparação de rampa nos córtes e taludes nos atterros; collocação de calhas na estação "Coronel Ferraz"; assentamento de cabides nos carros de passageiros e de venezianas no carro de 2ª classe; adaptação do carro mixto ao modelo adoptado, para melhorar-se a ventilação;
b) Alargamento dos atterros que ainda não tenham a dimensão approvada,(3,m0) estabelecendo-se o conveniente lastro, ao qual se dará, 1,m80 de largura em cima, 2,m20 em baixo e 0,m20 de altura; collocação de marcos kilometricos; insttalação de correntes de segurança nos vagões de carga e nas locomotivas.
Artigo 3º - Fica marcado o prazo de um mez, a contar da data da publicação do presente decreto no Diário Oficial, para a ultimação dos serviços a que se refere a rubrica "a" do artigo 2º, e o de três mezes para os demais serviços.

Palacio do Governo do Estado de São Paulo, aos 4 de Outubro de 1900.

FRANCISCO DE PAULA RODRIGUES ALVES
Antônio Candido Rodrigues
 
Diário Oficial-Anno 10-12º da Republica-Nº225-S.Paulo-Domingo, 7 de Outubro de 1900

 




 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CASA DOS PAPÉIS-46: GRUPO ESCOLAR SENADOR CARLOS JOSÉ BOTELHO




GRUPO ESCOLAR SENADOR CARLOS JOSÉ BOTELHO
03/08/1909 <  108 anos >03/08/2017



parabéns

 
 GRUPO ESCOLAR DE DOURADO - 1913

A História do Grupo Escolar
Quando a Câmara dos Deputados do Estado, de bancada oposicionista, levantou-se a voz, acusando a construção do Grupo Escolar no município que o Dr. Carlos José Botelho era fazendeiro, respondeu ele sereno e decisivamente: "a verba orçamentária destinada pelo Governo à minha Secretaria é para construção de oito Grupos Escolares e dentro dela, com a de Dourado, estou fazendo nove".
Esta justificativa patriota e honesta, foi água na fervura parlamentar. Ele poderia responder ao ataque dizendo ao acusador, que não construiu escola para seus filhos ou para os filhos de seus colonos, mas sim, para um povo que tinha direito ao Ensino Público.
O terreno onde foi construído o Grupo, foi oferecido pela Municipalidade em frente à Praça São João.
O projeto foi idealizado entre 1907 e 1908 por Manoel Sabater, autor de inúmeras edificações escolares na antiga Superintendência de Obras Públicas.
No decorrer dos 108 anos de sua criação, a escola passou por várias denominações:
03/08/1909 - GRUPO ESCOLAR DE DOURADO
04/09/1952 - Decreto Estadual Nº21.694 - GRUPO ESCOLAR SENADOR CARLOS JOSÉ BOTELHO
1976 - Escola Estadual de 1º Grau Senador Carlos José Botelho
1997 - Escola Municipal de Ensino Fundamental Senador Carlos José Botelho
- § - § -
Em 1953 com a criação do Ginásio Estadual Salles Júnior, funcionou em suas dependências no período compreendido de 1953 à 1958, quando, em 1959,  foi transferido para seu  prédio próprio. 
 

 
 HINO DO SENADOR
 
"SOB AS ASAS DO SABER"
Poesia: CARLA GONÇALVES CASADEI TORRES  e ROGÉRIA PEICHIM
Música: VALDIR ALVES COSTA
 
DO SONHO DE UM IDEALISTA
NASCEU UMA ESCOLA IMPONENTE
QUE DESDE UM PASSADO DISTANTE
JÁ ENSINAVA A TANTA GENTE.
 
NOS DOIS LADOS DA VIAGEM
UM DIA AQUI SE CHEGOU
E SOB A REGÊNCIA DO MESTRE
UM FUTURO DE GLÓRIA ALMEJOU.
(refrão)
SENADOR, TEMOS ORGULHO DE FAZER
PARTE DE VOCÊ!
ESCOLA TÃO AMADA
QUE NOS FAZ CRESCER
 
AQUI LOGO APRENDEMOS QUE
UMA AMIZADE VAI ALÉM,
QUE DIFERENÇAS SÃO VIRTUDES
E PRECONCEITO NÃO SE TEM.
 
SOB AS ASAS DO SABER
BUSCAR SEMPRE O MELHOR
TRAZENDO CONOSCO O SONHO
DE UM AMANHÃ MAIOR.
(refrão)
SENADOR,
TEMOS ORGULHO DE FAZER
PARTE DE VOCÊ!
ESCOLA QUE NOS ENSINA
PARA MELHOR VENCER
 
SUCESSO, HONRA E VITÓRIA
PARA TRILHAR GRANDES RUMOS
SERÃO O NOSSO LEGADO PRÁ
CRIAR NOSSA PRÓPRIA HISTÓRIA.
 
QUANDO O FUTURO CHEGAR,
IMPOSSÍVEL LHE ESQUECER.
LEVAREMOS SEMPRE CONOSCO
TUDO O QUE PUDEMOR APRENDER.
(refrão)
SENADOR, TEMOS ORGULHO DE FAZER
PARTE DE VOCÊ!
ESCOLA QUE NOS ENSINA
PARA MELHOR VENCER.
 
 
 
 
 
 
 SENADOR - 2.017

 


















NOSSA GRATIDÃO A TODOS DIRETORES, PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS E NOSSA AMIZADE E CARINHO A TODOS ALUNOS DO "SENADOR".



 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

CASA DOS PAPÉIS-45: NOTAS ESPORTIVAS 5


CRÔNICA  ESPORTIVA
 
"C.E.F.DOURADENSE" VS. "A. PALESTRA ITALIA"
                                                                         (De Araraquara)
22 DE NOVEMBRO DE 1931
 
Em disputa da Taça "TANNURI", gentilmente oferecida pelo sr. Antônio Tannuri encontraram-se domingo ultimo, nesta cidade as equipes representativas das agremiações acima. O desenrolar da luta não correspondeu à expectativa, pois esperava se que a ala esquerda, como deveria ser, produzisse algum jogo, o que não produziu. Foram dois elementos nulos em campo. Minguta e outros, que formaram a ala esquerda são elementos de destaque no futebol jundiaense mas, jogaram pessimamente, atrapalhando-se  a todo instante. Melhor teria feito a Diretoria do C.E.F.D. si os tivessem substituídos por qualquer outro jogador da mesma agremiação como, sejam Cunha, Benjamin e outros. Vejamos si para o futuro terão esta precaução. Os demais elementos jogaram otimamente , não tendo elemento a se destacar.
O quadro visitante por sua vez, se apresentou em campo, com um conjunto homogêneo, que ofereceu séria resistência o que bem demonstra o "score" final da luta.
Desenvolveram boa técnica e jogaram com muita disciplina. Quanto à interrupção do prélio no 2º tempo, cremos, em parte tinham razão. Em todo caso, isso são cousas do futebol.
***
Precisamente, às 17 horas, os quadros se alinham em após a escolha de campo e as saudações de praxe.
Dão a saída os locais que organizam um ataque, nada, porém, resultando. Escapam também os visitantes que também organizam perigosas investidas mas são inutilizadas pelos zagueiros locais.
O jogo anima. O campo está um pouco alagado, devido a chuva. Mas os jogadores de ambos os lados se empenham para a abertura da contagem.
Aos 15 minutos de jogo, após uma perigosa investida dos locais, Prestes chuta em goal marcando o 1º e único tento da tarde.
Quanto a marcação deste ponto protestam os visitantes dizendo que a bola não penetrara em "goal". Mas o juiz da pugna insiste e faz ser válido o ponto.
O jogo é reiniciado. Nota-se uma reação dos visitantes.
Os locais ajem com precisão.
E assim com mais umas jogadas, terminou o primeiro tempo do encontro com a contagem de 1 X 0 favorável aos locais.
A ala esquerda local está completamente nula.
***
Decorrido o descanso de costume, os visitantes reiniciam o jogo. Nesta fase torna-se mais interessante. A assistência procura animar os contendores. O jogo equilibra-se, percorrendo a pelota todo o campo.
O guardião visitante faz belas defesas impedindo que o "score" seja aumentado. O local também aje com precisão.
Registra-se um "escanteio" contra os visitantes que protestam. O jogo é interrompido. Depois de algumas discussões, Nito bate o escanteio, nada porem resultando. Deste momento em diante a partida continua disputadíssima. O juiz pune faltas de ambos os lados fazendo valer sua autoridade, aliás necessária.
Depois de mais alguns lances, sem modificação da contagem, termina a fase final do encontro com a contagem de 1 X 0, favorável aos locais.
E desde modo os "Ferroviários" conquistaram a taça "TANNURI".
REPORTER
 
"FERROVIÁRIO"
JOSÉ
SYLVIO-LOPES
MELÃO-ZICO-BLUNDI
NITO-BARDI-BENJAMIN(PRESTES)-DOVAL- MINGUTA
 
 
 
Diz no Programa:
"Será uma partida de futebol renhida porquanto vibra, entre os quadros que, no dia 22 se enfrentarão, o desejo enthusiastico da victoria. Tanto quadro visitante como o "Ferroviário" estão revestidos com a couraça de bons elementos"
 
"O quadro adversário, do dia 22 do fluente é, indubitavelmente o mais forte conjuncto que se destaca entre todas as cidades visinhas. Nos seus "11" há uma uniformidade valorosa que tornará a disputa cheia de emoções."
 
> A DIRECTORIA RESERVA O DIREITO DE VEDAR A ENTRADA A QUEM JULGAR CONVENIENTE <.
 
Jornal "A UNIÃO" - NUMERO 8-ANO I-28 DE NOVEMBRO DE 1931
CÓPIA DO PROGRAMA-RUDYNEI FATTORE
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

CASA DOS PAPÉIS-44: FORTUNATO JOSÉ MARTINS GUEDES




A UMA CHALEIRA VELHA
Romperam-te, afinal. Depois de quatorze anos annos de labor quotidiano que, às vezes, prolongavas, sem um queixume, até altas horas da noite, sozinha sobre a chapa do fogão, enquanto descançavam, lavadinhos e frescos, mas estantes, as caçarolas e o caldeirões, teus companheiros, venceram-te, afinal, o cansaço e o fogo. Pobre chaleira. Querem-te mãos impiedosas atirar ao lixo, destino final de tudo que envelhece. Mas estou aqui para salvar-te.
Não irás para o monturo, não.
Para os extranhos, és apenas uma velha vasilha imprestável. Para mim, porém és um pedaço do meu lar.
Nelle viveste quatorze annos de trabalhos.
Aqueceste agua em que primeiro se banharam meus filhos, que tu viste nascer. Ferveste, no teu bojo, cantando de alegria, a agua de que lhes fizeram o primeiro chá!
Nos dias alegres, quando a minha casa se enchia de amigos, eras tu quem corria ao fogão, a ferver, a agua para o café com que os obsequiava, como legítimos brasileiros, eu e elles. Nos dias amargos em que a doença se installava em meu lar, velavas o doente commigo. Eu, à sua cabeceira e tu chiando ao fogo para que fossem rápidos as compressas quentes  e os chás reanimadores. E quanta vez se misturaram então os meus soluços ao teu chiado dolorido, velha chaleira!
E assim, foste sempre a minha fiel companheira, na dor e na alegria.
Sorriste, commigo nos dias alegres e ccomigo choraste nos dias de amargura. Como atirar-te agora ao lixo, como si fôras uma simples caco velho? Não. Para mim és um pedaço do meu lar.
Não irás para o monturo.         X  
 
Jornal "A UNIÃO"-Nº176-ANNO 4-DOURADO, 26 DE MAIO DE 1935